Cúria Diocesana

Nossa história

Desde 1855

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Antes de ser cartão-postal, a Catedral São João Batista foi um pedido de uma comunidade inteira. Famílias que tinham atravessado o oceano decidiram que Deus teria, no meio da colônia, uma casa à altura da fé que trouxeram na bagagem. Esta é a história de como um povo construiu a sua igreja com as próprias mãos, e de como ela continua sendo construída hoje.

  1. 1855: Uma capela na colônia

    Santa Cruz ainda era uma colônia de imigrantes alemães, chegados a partir de 1849, quando a comunidade começou a se organizar para erguer a sua igreja diante da então Praça de São Pedro, a atual Praça Getúlio Vargas.

    A primeira Matriz ficou pronta em 12 de dezembro de 1861 e foi inaugurada dois anos depois. Conforme a vila crescia, a igreja crescia junto: foi ampliada em 1880 e de novo entre 1900 e 1901.

    O entardecer sobre a praça onde tudo começou
  2. 1927: O povo escolhe a sua igreja

    Nos anos 1920, a Matriz já não cabia a comunidade. Em 1927, a Arquidiocese de Porto Alegre abriu um concurso para o projeto da nova igreja. O vencedor, de Victorino Zani, era neorrenascentista, à maneira italiana.

    Os santa-cruzenses não aceitaram. Queriam uma igreja que falasse a língua da terra dos seus pais: o gótico das igrejas alemãs. O projeto de Simão Gramlich tinha sido desclassificado por passar das dimensões do edital, e foi justamente ele que a comunidade defendeu até vencer.

    Segundo a pesquisa do arquiteto Ronaldo Wink nas cartas da época, o arcebispo dom João Becker temia que a igreja de uma comunidade pequena acabasse maior que a própria Catedral Metropolitana. Ela acabou.

    A fachada neogótica que a comunidade escolheu
  3. 1928–1939: Mãos à obra

    Em 1º de fevereiro de 1928, a obra começou atrás da antiga Matriz, conduzida por Gramlich e, depois, pelo engenheiro Ernesto Matheis.

    Não havia guindaste. Tudo era feito à mão: pá, picareta e carroça para cavar as fundações, andaimes de madeira, material içado por cordas e roldanas. Também não havia um grande benfeitor. Quem podia dava dinheiro; quem não podia dava material de construção ou dias de trabalho.

    Em 1936 a igreja já recebia os fiéis, e em dezembro de 1939 a obra foi concluída. Em março de 1940 começou a demolição da antiga Matriz, que tinha guardado a fé da colônia por quase oito décadas.

    A rosácea, vista de dentro
  4. 1959: A igreja vira catedral

    Em 1959, o Papa criou a Diocese de Santa Cruz do Sul, desmembrada da Arquidiocese de Porto Alegre. A igreja que o povo tinha insistido em fazer grande passou a ser a sede do primeiro bispo, dom Alberto Etges, e ganhou o nome que tem até hoje: Catedral São João Batista.

    A fachada iluminada
  5. 1977: As torres tocam o céu

    A Segunda Guerra Mundial deixou a obra mais lenta, e as torres esperaram. Só em 1977, quase cinquenta anos depois da primeira escavação, ficaram prontas as duas torres principais, com cerca de 80 metros, e as seis menores. Lá em cima, quatro sinos trazidos da Alemanha chamam a cidade para a missa.

    Foi uma obra começada pelos avós e terminada pelos netos. Hoje ela é considerada a maior igreja neogótica da América Latina.

    As torres, à noite
  6. Hoje: Abrace a Catedral

    O tempo pesa sobre tudo, também sobre as pedras. A catedral passa pelo maior restauro desde a inauguração: a pintura e as superfícies, em oito etapas, e toda a parte elétrica e a iluminação. As portas, a escada do coro, a pia batismal e a pintura do coro já foram restauradas.

    Como em 1928, quem sustenta a obra é a comunidade: famílias, empresas, almoços e jantares solidários, cada partilha somada na campanha Abrace a Catedral.

    Temos que deixar o exemplo para nossos filhos e netos. É um legado.

    Marlene Swarovsky, presidente do conselho de administração da Catedral, à Gazeta do Sul

    A catedral nunca foi obra de um só. Foi, e continua sendo, o abraço de uma comunidade inteira.

    Fontes: Ronaldo Wink, Catedral São João Batista (2006); Gazeta do Sul; Portal Arauto.

    A catedral vista do alto

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Cada geração deixou aqui o seu trabalho e a sua fé. Agora é a nossa vez de cuidar do que recebemos e de passar adiante.

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feito com messe